quarta-feira, junho 28, 2017

1987: aonde o BRock Errou?

A Era do Rock é a celebração de um gênero hoje zumbi. Morto, mas não enterrado, um caminhante sem vida por turnês nada mais do que pura nostalgia.
Naquela segunda metade da década de 1980, contudo, era o ambiente no qual todo o jovem minimamente roqueiro queria viver. O rock era o espaço dos populares, hábitat das estrelas e suas estrelices.
O que aconteceu? 1987: aonde o BRock Errou?
Tema d'A Hora Tchutchuá, produzido e apresentado por Marcelo Arruda.

domingo, junho 11, 2017

“As pessoas que estão tentando piorar este mundo não tiram um dia de folga. Como é que eu vou tirar?”


Há 40 anos, Bob Marley lançava Exodus, seu disco mais político.
Numa sacada de gênio, ao dividir o álbum entre política e amor, Bob deixava claro que sua política era a do amor e que uma coisa era indistinguível da outra, mesmo separando-as cada uma em um dos lados do disco.
Uma visão que nasceu motivada por um atentado à sua vida, consolidada na capital do antigo império que havia colonizado a ilha em que havia nascido e envernizada com as cores do novíssimo movimento punk. Exodus é seu melhor e mais importante disco, e é o tema d'A Hora Tchutchuá de hoje.

"Exodus, movement of Jah people! "



domingo, maio 28, 2017

1967 é um ano importante na música. tão importante que quando a gente fala parece até Clichê.
Algumas destas músicas que fizeram este ano estão retatadas hoje na Hora Tchutchuá.

A Hora Tchutchuá, dentro das regras matemáticas da Teoria do Caos dentro da forma Tchutchuá de ser.
Apresentado por Marcelo Arruda, que estudou o Tchutchuá como "forma de condicionamento físico não-competitivo, além de ser uma forma de elevação coletiva de espírito." (Arruda, 2003)


sábado, abril 29, 2017

A Hora Tchutchuá, agora também na Utopia FM, dentro das regras matemáticas da Teoria do Caos dentro da forma Tchutchuá de ser. Apresentado por Marcelo Arruda, que estudou o Tchutchuá como "forma de condicionamento físico não-competitivo, além de ser uma forma de elevação coletiva de espírito." (Arruda, 2003) Todo Domingo, das 17 às 18h. Rádio Utopia FM, a rádio que ouve você.

domingo, abril 02, 2017

A Hora Tchutchua: BREGA (1)

Na Hora Tchutchuá desta semana, aquelas músicas para se escutar no fim da madrugada, antes do sol nascer, após todas as festas terem terminado, estando sentado na sarjeta e bebendo direto no gargalo de um vinho genérico de garrafa de plástico, enquanto se segura na mão uma certa foto e/ou um certo bilhete/carta rabiscado(a).

Curtam o programa, com muito #BregaNaTL

sábado, abril 01, 2017

A Hora tchutchuá: The Velvet Underground & Nico

Há exatos 50 anos, um dos álbuns mais importantes do rock foi lançado. The Velvet Underground & Nico, conhecido como o disco da banana, foi o primeiro da curtíssima carreira da banda. Apesar da baixa vendagem e de ser deixado de lado pela crítica, seu impacto foi gigantesco. Nas palavras de Brian Eno, “o disco vendeu cerca de 30 mil unidades e todo mundo que comprou uma dessas cópias, com certeza começou uma banda”.
A Hora Tchutchuá de hoje aborda este que é um dos discos essenciais do Rock.


sexta-feira, março 31, 2017

Programa Teste da Hora Tchutchuá


Um Programa que obedece a Teoria do Caos e que tem toda semana uma Direção, dentro da forma Tchutchuá de ser.
Apresentado por Marcelo Arruda, Que estudou o Tchutchuá como "forma de condicionamento físico não-competitivo, além de ser uma forma de elevação coletiva de espírito." (Arruda, 2003)

quarta-feira, fevereiro 10, 2016

Comunicado oficial sobre o assunto

Temos consciência que um comunicado, ao contrário do que o nome pode falar, é um texto que visa mais informar do que comunicar, ou seja, não esperamos obter uma resposta por parte do receptor das mensagens, enquanto que para haver comunicação têm que pelo menos existir um emissor e um receptor

Dito isso, comunicamos que sobre o assunto em questão não temos nada para falar.
Portanto, sugerimos qualquer outra pessoa, que não quem escreve estas linhas, sobre o assunto.

Obrigado.

quinta-feira, junho 04, 2015

DESENFERRUJANDO O JOÃO #8

Programa que apresento na Ralacoco, agora gravado para o deleite de quem lê o Transmitindo e Comunicando.

Aliás, alguém ainda lê este blog?
Alguém ainda lê blog?


terça-feira, dezembro 31, 2013

Obrigado, 2013!

Não era dezembro nem tinha nenhuma Berenice envolvida.
(Acho...)
Mas (a Gira) Girou.

Janeiro. Dois amigos, Milena Araguaia e Cristiano Torres, me foram os anjos da guarda para ajustar minha colocação no universo. Não o que gostaria de escutar, mas o que me fez ver novas formas de pensar, sentir e agir. O Cris já tinha convidado muitas vezes, mas eu nunca ia. Processo de procrastinação a que me programava quando chegava num ponto.

E fui. E os demônios e anjos começaram a ter várias conversas sérias comigo. Quase todo Sábado, após a rádio. E fui com eles. E elas.

Um processo aonde nós, caminhantes das estrelas, fizemos contatos com nosso sagrado. E coloco no plural pois todos somos estrelas numa constelação que fazemos parte em conjunto. E em contato nos orientamos com observações de forma pertinentes em nossas vidas, sem amarras. Indo aonde a gente realmente é e quer. Com erros e acertos, como qualquer humanidade, mas como exemplo de oportunidades para aprendizado.

Era para ser um texto de falar de 2013. Mas falar deste ano é falar de um ano que foi mestre. E falar de um Mestre, é sempre agradecimento. Gratidão sincera e eterna ao que tive, tenho e terei que aprender, as que doam suas vidas de guiar ao contentamento e alegria sincera.

E façamos um 2014 honrando quem somos, e que façamos algo melhor.
De nós.

segunda-feira, dezembro 23, 2013

Então é Natal...

Concordo que entrevistar Papai Noel, mesmo no Roda-Viva como está atualmente, é demais. Mas existe um contexto que faz com quesso aconteça...

É parte do problema do Jornalismo no seu contexto: aceitar um tipo de construção que desvie de sua função, por interesses além da informação. Interesses, literalmente, comprados e consumidos por parte consideravel da população... O fato de não comprarmos algo não impede que exista este algo. Devemos aceitar ativamente que existe, para fazer algo a partir daí. Mesmo por que, o mesmo contexto que faz tocar "Então É NATAL" no Natal, por exemplo. E num outro lado, tocarmos "Papai NOEL, Velho Batuta."
Pois você não acham que o Mercado também não está de olho naqueles que Xingam muito na internet no natal, acham?

Dito Isso...


sexta-feira, dezembro 20, 2013

O Rei do Brega acaba de deixar o Prédio...

Você deve ver e sentir a dor que deveras sente, a dor que Dói.
Sem Mexer na ferida.
Deixar doer.
Mas desapegar dela quando cicatrizar.

Pois coração partido é vida. É rodagem. Crescimento.
Uma das funções deste blog é fazer de algo tão sagrado como nossa Dor de Corno, das minhas dores de corno, texto. Catalizando-as e fazendo algo de bom delas. 

E este mal cuidado blog nunca tinha publicado algo de Reginaldo Rossi. Nunca achei a justificativa para colocar um texto sobre ele, alguma desculpa esfarrapada. Justo aquele que foi trilha sonora de muita coisa, boa e ruim, que aconteceu, e que ainda vai acontecer...
Escrevo agora...

Valeu Rei. E desculpa nossa falha...



quarta-feira, julho 31, 2013

Do que eu (não) entendi de Junho de 2013

Da parada de ônibus até em casa passo por muitas igrejas, independente do percurso que faça. Pois é uma consequência natural de morar numa cidade que tem muitas igrejas, tipo Sobradinho.

Todas cheias, todas discutindo. Todas as pessoass se reunindo.

Não deveria ser nenhuma surpresa. Mas num momento como este é bom lembrar o óbvio que passa na nossa frente e não levamos tão a sério assim nas nossas análises...

Na periferia as pessoas se reúnem. Se engajam. Conosco ou sem nosco...

Nas Igrejas.

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Na periferia do DF, a direita nunca se desorganizou. É só pensar nos massacres diários e sequestros de narrativas de sempre...

E para quem perdemos espaços, não só políticos, mas muitas vezes físicos. De aglutinação da Classe trabalhadora. Frutos até de uma cegueira da esquerda atuante no centro, mas renegadora do Povo.

E que ainda não aprendemos a lição dos efeitos práticos de nossos dissensos como atrasos na luta. Pois repetimos o que não deu certo antes.

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"O antirracismo já é palavreado fácil, mas segue sendo uma prática difícil. Eis o lugar onde estamos. Para onde vamos? Isso depende do caminho que todas e todos estiverem realmente dispostas e empenhados a trilhar."Ana Flávia Magalhães Pinto

A pauta que sempre é deixada a margem de todos os processos político é justamente a que atinge a maioria da População. Se duvida, presta atenção como a discussão racial é colocada na Hora do "Vamos Priorizar as Pautas do Movimento".

Aliás, o texto linkado acima mostra muitos dos pontos cegos nossos, dos que pretensamente estavamos acordados. Pontos cegos que estão cobrando seu preço agora neste momento aonde não sabemos o que fazer.

(E não, não sabemos. Se você sabe está ou muito mal informado ou muito mal intencionado...)

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quinta-feira, abril 04, 2013

Minha terra tem Tony Tornado #desarquivandoBR

Desde sempre a produção cultural Negra na MPB foi objeto de diferentes mecanismos de cooptação e neutralização em sua cadeia produtiva. Aonde o local de fala do Negro era como Objeto ou Sujeito passivizado. Quando não era simplesmente calado. O conceito de Nação do regime político implantado em 1964 se aproveitou muito disso em sua propaganda política ao enfatizar o mito de democracia racial.

Neste contexto, incomodava alguém com cabelo Black Power. Incomodava alguém que dançava e cantava com orgulho de ser Black, usando o seu corpo como uma arma contra a repressão corporal. Incomodava alguém com posições claras pelo fim do racismo. Incomodava alguém que levantava os punhos cerrados no ar, como os Panteras Negras. Incomodava alguém que perguntava "Você teria por ele o mesmo amor/ Se Jesus fosse um Homem de Cor?". Incomodava ele incitar, pelo exemplo, a formação de organizações políticas no Brasil. Incomodava a Afirmação da Identidade Étnica que ele representava. Sozinho ou coletivamente, com sua influência.

O incomodo teve seu preço para Antônio Viana Gomes: nove passagens pelo Departamento de Ordem Política e Social (Dops), discos apreendidos e Exílio. Suas músicas pararam de tocar nas rádio. E setores da imprensa começaram a assassinar sua reputação como cantor, Sem falar nos setores da Esquerda que já faziam Patrulha Ideológica que não entenderam (e até hoje não entendem plenamente) que há outras formas de se fazer política, e principalmente que a Pauta racial é uma pauta a ser levada a sério no Brasil.

Entender o contexto de existência de um Tony Tornado. Entender suas influências estéticas, sociais e políticas do seu tempo. Entender suas contribuição para o que entendemos de Música Negra Brasileira. Que não era só ele mas uma coletividade.  E entender por que e como essa contribuição foi limitada. Tudo isso mais outros fatos coligados é entender que havia uma Indústria Cultural que era influenciada por uma Estratégia de Estado que visava fortalecer um Projeto de Nação. Projeto de Nação que tinha um conceito de Cultura Brasileira que não admitia desvios.

 Projeto que não poderia ser denegrido.

 Post participante da VII Blogagem Coletiva #desarquivandoBR.

segunda-feira, janeiro 07, 2013

Lista de Metas #2012 - Conferindo

Janeiro de 2012. Metas. Um ano para escrever este texto. Ficou um Chinese Democracy...

Alguns objetivos alcancei. Outros, lixeira. Com a Limpeza Urbana que temos.
Fiz. De limitações conhecidas e desconhecidas, que coloquei em mim ou nos outros e outras. Problemas que "tive". Apegos e desapegos.
Sempre em construção. Caminhando e tropeçando e seguindo a canção. E me preparando para este exercício de ser, me preparando como um atleta.
Apesar dos "expertos ao contrário" que jogam contra a gente. Mas não vi aqui para competir. Vim para aprender. Ser melhor do que fui ontem. Pior do que serei amanhã. Aprendendo.

Não ganhei todos os jogos.
Mas valeu a torcida.



domingo, novembro 25, 2012

Ju, 35

Ju, tava pensando em você nestes dias. Falta de você pra aquela troca de idéias nos ônibus. Ou mostrar o que tenho ouvido de novo, para ver o que você achava...
Saudade daqueles papos sobre ser mais do que somos, de deixar nossos medos e cair de cabeça na vida. Lógico, se o rio não tiver raso e a gente souber nadar, pelo menos boiar, depois de mergulhar. Mergulhei algumas vezes. Não todas, mas agora me controlo para mergulhar mais e mais.
Sermos menos Charlie Brown e Garotinha Ruiva. Menos personagens, e mais pessoas.
Sabemos a diferença? Tiramos a máscara que usamos para autoproteção ou as colamos com SuperBonder? E o que resta da gente embaixo?
Resta a gente. E somos muito gente. E ser muito gente, juntos, de cabeça erguida, faz parte da nossa dieta diária de felicidade.
Nos alimentemos de Felicidade, pois.
E Feliz Aniversário.


PS2.: O pessoal da Utopia te mandou um beijo. ;-)

quarta-feira, novembro 21, 2012

Saindo.

Os dias seguintes são mais difíceis.
Dor ainda presente.
Mas ela é do Jogo.
Desistir, parar, é perder para si mesmo por WO.
Por isso devemos continuar.
Nem que chova ganância.
Preconceito.
Intolerância.
Cegueiras.
Mesmo que os passos sangrem.
Os pés pesem.
A alma rasgue. Em pedaços.
Que nossos demônios sussurrem para que nos acomodemos.
Aí ouviremos o Divino dentro de nós insistindo para insistir.
Que vai passar.
E nós passarinho.
De cabeça erguida, contrariando o peso da gravidade.
Olhando para mais longe.
No olho da vida.

Lutando.
Saindo.


quarta-feira, agosto 01, 2012

Qual é a sua Loucura?

Muitos de nós queremos fazer alguma coisa que nos motive a ir mais adiante. Que desafie nossa rotina, nossos padrões de comportamento, nosso dia-a-dia.
Mas ficamos na vontade.
Medo dos olhares externos à nós, do que a sociedade vai achar da gente, do que quem é próximo vai achar.
Ou preguiça de mudar.

Então, proponho um desafio a você. Faça algo louco.

Sim, você leu certo: FAÇA ALGO LOUCO. Realize Suas Fantasias e Loucuras, ou pelo menos UMA. Aquela que você guarda como vontade profunda, mas nunca realizou.

Uma só.
De leve.

Sei que parece bem amplo, mas é ampla a vontade coletiva de ser insano, de toda forma.  Pelo menos aqui você pode usar como desculpa que eu te desafiei. Desculpa esfarrapada, talvez. Mas quem nunca ficou preso em alguma desculpa esfarrapada alguma vez na vida?

Sem desculpas. Enlouqueça.

E me fale do resultado, ok. ;-)

quarta-feira, junho 06, 2012

Entrevista com Seu Teodoro na Ralacoco, Setembro de 2008

Sabe aquela coisa bem óbvia, que tá na sua frente e você demora a perceber?
Então. Havia a Rádio Ralacoco. Rádio Livre na UnB. E sempre que eu abria a Rádio encontrava o Seu Teodoro na UnB. Ele desenvolvia trabalho de Cultura Popular em Sobradinho, no Centro de Tradições Populares de Brasília, onde apresentava  danças e cantigas do bumba-meu-boi e do tambor de crioula, oriundos do Maranhão, sua terra natal.
E ele todo dia ia na UnB, Visitava aonde ele trabalhou até se aposentar.
Pois é. Só em em Setembro de 2008 me ocorreu de convida-lo para ser entrevistado  para falar de seu trabalho.
Uma das entrevistas que que fiquei mais nervoso para fazer. O registro bruto da prosa está aqui, com minha gagueira e outros problemas técnicos também.
Seu Teodoro Encantou-se em Fevereiro Janeiro deste ano.
Os corredores da UnB sentem saudade do cabra.

A entrevista pode ser ouvida aqui.

terça-feira, maio 29, 2012

Sobre Zacarias, Raquel e MECOM

Nota introdutória: o texto abaixo  escrevi  no Natal de 2003. Respondendo a Raquel Casiraghi, então estudante de Jornalismo da UFRGS e coordenadora Geral da ENECOS, Executiva Nacional dos Estudantes de Comunicação. Numa lista de discussão referente ao COBRECOS 2004, cujo o tema foi "Até Quando Esperar". Falava sobre o local do Estudante de Comunicação na nossa Democracia. Ou tentava, com algumas deficiências teóricas que serão notadas...
Conversando com algumas pessoas do atual MECOM percebo que tem muita coisa que continua atual. Apesar de, repito, faltar muita coisa no texto abaixo, cabe como reflexão. 
É interessante ver um cabra já não tão idealista, mas 9 anos menos experiente...


Raquel, li tua mensagem, guria.

Mas gostaria de fazer uma pequena (?) observação que é o erro básico (a meu ver) que o MECOM incorre. E que pelo visto não tenho exemplo prático a vista (incluindo eu nesta lista de não exemplos) que passa muito pela "hegemonia Petista", passa pelas últimas mensagens com observações do Cesar Benjamin (e comentários em outros espaços sobre estas observações.), pelo ENECOM ser como foi, a tal da "falta de mobilização" geral estudantil (aspas que coloco por não concordar com esta, e mais adiante eu coloco pq...). para isto vou contar umas histórias.

Esta de vez em quando salta na ENECOS: era lá pelos comecinhos dos anos 1990, num ENECOm, teve uma plenária que a galera tava muito louca (pense, pense numa plenáriaseqüelada...). Aí uma menina surtou da seguinte Maneira: "gente, não é possível!!! tamos aqui a horas discutindo o Sexo dos Anjos, com a realidade lá fora!!! gente, vamos acordar!!!! gente acorda!!!! o ZACARIAS MORREU!!!" (Foi o dia da morte do ex-trapalhão. A plenária, atônita, decidiu fazer um minuto de silêncio em memória dele...)

         -Outra, e esta já é especifica da UnB. Para isso serei repetitivo (já tinha mandado esta mensagem antes), plagiador (quem leu Donos do Mundo e do Poder, do Perseu Abramo, reconhecerá na hora) e meio que cínico.
         “Pense numa assembléia de estudantes (ou alunos) vazia até certo ponto de pauta; que, neste ponto de pauta, como por mágica, o auditório lote, e que a opinião destas pessoas seja a única a ser ouvida. E que logo após a votação deste ponto, o auditório fique vazio. Pergunta: qual o ponto de pauta? Resposta: eleição de delegados da UNE. Errado. A permanência ou não da mesa de sinuca no CACOM da unb. Ou qualquer coisa que interfira na satisfação pessoal, não importando a exclusão de pessoas nesta intenção.”
          No dia seguinte, foi o debate sobre o boicote sobre o provão. A atual diretoria do CA da UnB decidiu não tomar posição enquanto os formandos da universidade ainda não tivessem decidido se fariam ou não a prova. Fomos eu, Jonas, e mais uma pessoa que não me lembro o nome (que é da DENEM) convencer algumas pessoas cuja a visão de movimento estudantil é algumas pessoas lutando por outras. Não era impressão minha, um dos presentes falou exatamente isso para o Jonas. Ficou claramente combinado que as pessoas iam fazer todas as questões e gabaritar a prova. A primeira vez em quatro anos.
Chamado de última hora e com ressaca (tinha ido a uma festa no dia anterior e bebi todas para esquecer o episódio relatado e nem tinha vontade de ir à porta das provas) para ajudar na mobilização da porta das escolas quanto a outras faculdades . Fui para a porta e vi, surpreso, muitas das pessoas que tinham votado em fazer a prova saindo mais cedo. Tinha decisão de futebol no dia e eles não queriam perder...
A nota da UnB foi C.

Durante uma palestra e durante Grupos de Discussão que se realizavam no seminário da Paraíba, ocorrido em Julho último, ocorreram apresentações-surpresa de uma esquete teatral. Previamente combinada com a organização do Seminário, o grupo surgia de repente e se apresentava. O tema da peça do grupo que se auto-intitulava “Teatro Alternativo” passava sobre questões sociais e vinha de apresentações feitas nos corredores da USP.
Havia nesta apresentação interação atores-público. Durante uma destas interações, são chamadas moças da platéia, geralmente bonitas, para uma representar um pavão. O modo de se referir a moça que vai ser colocada na berlinda nesta parte do espetáculo é: “Vamos falar sobre coisas mais gostosas”.  E para representar o pavão, colocava-se a moça de costas para a platéia e mostrava-se a bunda dela.
Este não era o único momento em que o público era ridicularizado. Mas o único momento da peça em que uma figura do público era colocada em destaque, e também ridicularizada. Momento onde se reificava a figura feminina partir de aspectos estéticos e anatômicos, além de animalizar a sua figura. (comparando-a com o pavão)
Muitos estudantes presentes riram da peça. Eu lembro que algumas saíram por não concordar.

Durante uma das reuniões da diretoria da Executiva Nacional dos Estudantes de Comunicação (ENECOS), em um encontro nacional uma pessoa importante da comissão organizadora deste encontro relatou problemas que tinham acontecido na festa da noite, algo como a possibilidade de invasão. Não sei se foram estas palavras exatamente, mas ele se referiu ao fato  como: “A periferia baixou aqui querendo invadir a festa.”
Vale destacar que pelo menos duas oficinas realizadas durante este mesmo encontro foram realizadas por pessoas oriundas de Periferia. E que não é a primeira vez que esta troca se realiza em encontros de comunicação.

-Várias Universidades públicas fornecem benefícios para que seus estudantes possam viajar a encontros estudantis pelo país . Há algum reconhecimento (mesmo que pífio) do posterior  aprofundamento acadêmico e do caráter multiplicador destas experiências (o discurso da utilidade social do nosso conhecimento, que na prática não se realiza, e vejamos no próximo ponto porque). E lembrando, a verba oriunda destes benefícios é pública. Algo análogo acontece em algumas Universidades particulares, com os patrocínios destas instituições para viagens, apesar de ser bem menos constante. E neste caso, a verba é oriunda da mensalidade dos outros estudantes.
Não tenho os números exatos, mas a dispersão dos últimos ERECOMs e do Seminário da Paraíba foi considerável. Quando muito, tinha um terço da galera participando de forma orgânica ao encontro. Não estou advogando que as pessoas não saiam do espaço do encontro nenhum dia (o dia livre nos encontros de longa duração é necessário para que se conheça a cidade onde se encontram). Mas estou relatando que pessoas foram pagas para não participarem dos encontros, e não multiplicarem seu conhecimento posteriormente para quem não teve a oportunidade de participar destes encontros.

Um último caso: temos uma disciplina chamada Comunicação Comunitária na UnB. Basicamente, é uma proposta de intervenção extensionista em uma comunidade sem recursos perto do Plano. Ou seja, a prática de um projeto que sempre nos colocamos, que é o contato (com todos os embotamentos e limitações acadêmicas possíveis) com as classes populares. A disciplina é realizada aos sábados de manhã, depois de uma sexta-feira à noite.
Uma estudante, quando perguntada se queria fazer esta disciplina, respondeu que não. “Eu não sou boa o suficiente...”

Estes comportamentos, e mais outros que os estudantes por ventura possam ter, têm alguns elementos que podem ligá-los, que é a mobilização política não terem motivações, digamos, revolucionárias. Há um fetichismo pela diversão e profissionalização dentro da universidade, sendo uma das justificativas de permanência e escolhas de ações o custo/benefício que o levem a um aprofundamento nestas questões. Pessoas que tem algo a acrescentar neste aspecto são valorizadas, e os espaços também colocam uma necessidade de ser encaminhar neste  sentido (como se dão as amizades dentro da universidade, a pré-sindicalização, uma tendência a ludocracia e ao umbiguismo).
Há uma valorização por aqueles que divergem deste aspecto funcionalista na universidade, pois todos tem que ter um papel na sociedade, e portanto tem que ter alguém que tenha o papel de lutar pela coletividade (por abstenção desta coletividade). Vejam os discursos que nos conselhos são colocados de valorizar o papel da representação discente, e compare quando se quer uma maior participação dos poderes decisórios de administração universitária. Aí está a especificidade da representação discente. Quando ainda não encontramos pessoas que tem saudade da ditadura militar...
Por isso, e não por acaso não coloquei inimigos específicos (já cresci o suficiente para sacar que o mundo não é dividido entre mocinhos e bandidos) penso que a universidade é apenas reflexos de uma forma de sociedade que coloca (segundo Benjamin) civilização e barbárie em um tipo de complementaridade  que sustenta nossa posição de lutadores da democracia e por um aprofundamento desta dialética na luta de classes que temos no nosso dia-a-dia, onde estamos numa torre de marfim, sem pensar da onde se retira o marfim... (Aliás, que democracia é esta?)

Terminando com outro problema. Textos longos e densos nunca são levados a sério dentro do MECOM. O estudante de comunicação não é acostumado a ler. O que desestimula a formulação.

Valeu quem leu provou o contrário. E vem me estimulando todos estes anos.

Qualquer coisa é coisa qualquer, até no Natal...

Marcelo Arruda
25/12/2003