terça-feira, janeiro 29, 2008

Como se fosse brincadeira de roda...

Ouvi dizer que uma das normas não implicitas da censura e das televisões da época era não filmar ela de frente.
Pois é, gente, naquela época era dificil encarar, olhos-nos-olhos, uma mulher que queria ser livre.
Até hoje, falando sinceramente. Afinal, há o limite da liberação da mulher, quando ela não se encaixa nos nosso anseios de dominadores.
O ser humano, em geral, quer ser livre para viver sua própria vida, mas sempre tem um outro para ditar regras. É o ônus de se viver em comunidade. O pior é quando a comunidade quer ver você de um jeito, e você quer viver de outro. A não ser que você saiba conviver com os senões, entrar na roda, e ver o que rola.
E aproveitar no final, dentro das possibilidades.

PS.: Falando nisso, parece que Amy Winehouse disse sim a Rehab(ilitação). Espero que ela desminta meu texto...

domingo, janeiro 20, 2008

25 anos...

"Se há um deus que regula o futebol, esse deus é sobretudo irônico e farsante, e Garrincha foi um de seus delegados incumbidos de zombar de tudo e de todos, nos estádios. Mas, como é também um deus cruel, tirou do estonteante Garrincha a faculdade de perceber sua condição de agente divino. Foi um pobre e pequeno mortal que ajudou um país inteiro a sublimar suas tristezas. O pior é que as tristezas voltam, e não há outro Garrincha disponível. Precisa-se de um novo, que nos alimente o sonho."
Carlos Drummond de Andrade.

Abaixo, final do Carioca de 1962. Pelo Canal100. Em cima do Flamengo (bem, nada é perfeito...). Segunda parte de um especial sobre o Botafogo.

Dizem, a maior atuação de Manuel Francisco dos Santos num campo de futebol. Agora não me ocorre se foi no Estrela Solitária, de Ruy Castro. Só sei queu neste livro estão retratados os dois caminhos: um de relance, que é o da estrada de Tijolos Amarelos, que poucos jogadores andam pós fim de carreira.
E o de 99% deles, Garrincha incluído...






quinta-feira, janeiro 17, 2008

Um elefante brinca muito mais se uma menina vai correndo atrás

Nunca entendi a letra desta música composta por Robertinho do Recife e Fausto Nilo. Mas criança não precisa entender para gostar, né? O gosto Infantil é Meio Aleatório.

(Aliás, por que eu gostava desta música quando era criança? Sei lá. A guitarra, a simpatia da Emilinha, o frevo misturado com Rock... Ahn, a Letra? Justamente por não entender, mas achar simpática?)
(Aliás 2: por que devemos racionalizar para decidir o que gostamos? Não seria legal se apenas sentissemos se gostamos ou não das coisas? Em algum momento a gente perde esta capacidade de apenas gostar, sem ter um grau de racionalidade que o justifique.)
(Aliás 3: Adulto é um bicho muito chato. Definitivamente. Tudo tem que ter Razão...)

È mais uma daquelas ocasiões que nos tornamos nostálgicos pensando "ah, antigamente era bom...." tendendo a valorizar oq ue existia antigamente. em alguns casos, supervalorizar.

Mas que a MPB infantil era muito melhor, isso era...


terça-feira, janeiro 15, 2008

Os Orixás tavam de plantão...

As pessoas certas, no momento certo, com a música certa. Não sei se só isto explica a magia deste grupo. Talvez algo mais coletivo, completando os talentos uns dos outros. Não sei. Só sei que é considerada um dos melhores grupos da história da MPB.

Baby Consuelo (sim, por que não?), Moraes Moreira, Luiz Galvão, Paulinho Boca de Cantor. Se reúnem pela primeira vez no fim da década de 60 em Salvador, participando da peça Desembarque dos Bichos e Depois do Dilúvio, (1969). Com uma ajuda de um tal de Tom Zé... Ainda neste ano se inscrevem no V Festival de Música Popular Basileria com a canção De Vera.
Nas apresentações em palco e gravações, o grupo era acompanhado inicialmente pelo grupo A Cor do Som, do qual faziam parte o guitarrista Pepeu Gomes e seu irmão baterista, Jorginho Gomes. Pepeu é incorporado definitivamente ao grupo, e ao lado de Moraes Moreiras se torna um dos principais responsáveis da mistureba sonora do grupo.

Obra-prima dos Novos Baianos, "Acabou Chorare" é lançado em 1972. É o segundo trabalho do grupo, tendo muita influência de uma tal de João Gilberto, que frequentava o apartamento do grupo. Foi dele a idéia de relançarem "Brasil Pandeiro" - samba da década de 1940 de Assis Valente. A faixa-título do disco teria sido inspirada em Bebel Gilberto (que misturava português com o espanhol, que aprendera no tempo em que morou com os pais no México). "Preta Pretinha" foi composto sobre versos de Luiz Dias Galvão, feitos para uma moça que ele conhecera em Niterói. (Tá, música de dor de corno, mas simpática...)

O álbum foi eleito em uma lista da versão brasileira da revista Rolling Stone como o melhor disco brasileiro de todos os tempos. Vendo os vídeos abaixo, não consigo pensar em discos melhores...

(fonte: Wikipédia)



A Menina Dança


Mistério do Planeta

segunda-feira, janeiro 14, 2008

Obrigado pelos obstáculos

O filme abaixo foi selecionado em Cannes. Finalista, para ser mais exato.
Tua vida tem problemas?



Repito a pergunta: Tua vida tem problemas?

domingo, janeiro 06, 2008

Para além da bagaceira...

Amy Winehouse. Você já deve ter ouvido falar. Muito provavelmente, por notícias de Jornais. Assim como eu.

Quer saber? Gostei. Várias coisas me vieram na cabeça quando ouvi-a cantando "Eles tentaram me mandar para a reabilitação, mas eu disse, não, não, não..." algo sobre ser mais um capitulo de uma longa história da relação de martírio do Ídolo em praça pública, para deleite da Indústria Cultural. Imprensa, Fãs, Artistas, gravadoras fazem parte deste esquema, uma boa prosa que pode ser feita em outra hora sobre como a música pode ser deixada em segundo plano. E os fãs vêem este espetáculo de camarote, projetando comportamentos que não conseguem ter no seu cotidiano, se realizando na imagem destes Ícaros (Pós?) modernos...

Sintomático: poderia falar como a música é boa. Mas olha só o que acabei escrevendo...

domingo, dezembro 02, 2007

"Se bem que..."

Foi assim que terminava uma crônica de algum tempo atrás aqui neste espaço. Não sabia que o pior estava por vir.
Não pro Flamengo (E muito pelo contrário. Três meses, vergonha na Cara, Joel Santana e uma torcida empurrando fizeram uma puta diferença pro time.). Mas para o Corinthians...
Já vi muito time que eu simpatizo cair. Mas incrível como isso me abalou. A ponto de eu não conseguir fazer piada com o assunto. E isso é algo relativamente difícil para mim...

Não pela a diretoria do Corinthians, que deveria, por vergonha , renunciar em peso. principalmente aqueles que participaram, de alguma maneira , na gestão que fez o time estar aonde ele está.
Nem pelo jovem goleiro Felipe, um dos melhores jogadores da temporada, que não merecia este time...


Se há uma razão para respeitar este momento, é esse...

quinta-feira, novembro 01, 2007

LEWIS HAMILTON VENCE GP DO MÉXICO. ALONSO CHEGA EM SEGUNDO.

Veja as imagens:

CIRILO ERA UM VISIONÁRIO!!!!!!!!!

Só para desencargo de consciência: lembra da novela Carrossel?

Lembra da Maria Joaquina? Interpretada por Ludwika Paleta?

E lembra que algumas crianças crescem?



Poisé. O Cirilo sabia das coisas...

(PS.: mais info da foto acima aqui)


terça-feira, outubro 23, 2007

Certa vez um sábio árabe disse:

للأعيان وعدد أعبحت الشعببانية يتم ماعية و تعيينهمللأعياننواب
حسب الدستور المعدل عام أصبحت إسبانيا دولة قانون إجتماعية و ديمقراطية تحت
نظام ملكي برلماني. الملك منصبه فخري و رن و واحدئيس الوزراء هو الحاكم الفعلي
للبلاد. البرلمان الإسباني مقسم الى مجلسين واحد للأعيا وعدد أعضاء يبل عين و
واحد للنواب و عدد نتائج الانتخابات نائب. نتائج الانتخابات الأخير مباشرة من
أصبحت الشعبسنوات، بينما كل سنوات، بينما يعين عنتخاباتضو من مجلس الأعيان و
ينتخب الباقون من الشعب أيضاً. رئيس الوزراء و الوزراء يتم تعيينهم من قبل
البرلمان اعتماداً على نتائج الانتخابات النيابية. أهم الأحزاب
الإس أصمقسم الى مجلسين واحد للأعيان ( وعدد الشعببانية يتم ماعية و
تعيينهمللأعيان

Bonito né!?! Eu também chorei!

domingo, setembro 02, 2007

Obrigado Corinthians!!!

Estava meio desanimado com o empate do Flamengo com o Sport em casa (jogo que merecia ter perdido) quando leio este post num outro blog.
Viu, gente, poderia ser pior...

(Se bem que...)

quinta-feira, maio 31, 2007

A HORA TCHUTCHUÀ, no seu rádio ou no seu computador...

O que o Caos e a ordem tem a ver com tua vida?
A ironia e música?
A lua Cheia e as Marés?

Eu não sei, mas podemos falar a respeito.

A HORA TCHUTCHUÁ, VERSÂO 2,007

Reestréia nesta SEXTA FEIRA, dia 1/6/07, ao Meio dia, na Ralacoco, 101,3 FM.

Para ouvir basta acessar no seu tocador de MP3: http://ralacoco.radiolivre.org/ralacoco .m3u

Maiores informações, divulgações, críticas, sugestões: joeytchutchua@gmail.com

E visite nosso blog:
http://tchutchuanius.blogspot.com

(na verdade é este mesmo que você está lendo...)

sábado, janeiro 20, 2007

Um passo a frente e não estamos no mesmo lugar...

(para ler ao som de Amigo Punk, do Graforréia Xilarmônica. Lógico!!!)

Foi no F$M, a pouco mais de uma semana.
Mas parece que foi agora a pouco...
Num dia távamos perto do parque Redenção eu e meu bro Victor Castelo Branco. A idéia era ir a coletiva que Saramago tava dando junto a um anfiteatro localizado por ali. Numa daquelas sucessões de erros que não tenho a menor vontade de explicar (por que aí eu teria que deixar de ser materialista-dialético), e que envolveram nossas amigas Gabriela e Silvia do UniCEUB, nossos planos acabaram sendo mudados.
Como se diz no jornalismo, caiu Saramago.
Aí surgiu a idéia. Um passeio por uma parte muito legal do nosso passado e de nossa militância no MECOM.
Num certo Instituto de Educação, meio que atravessando a Osvaldo Aranha, entrando no Parque Farroupilha. Até a localização ajudava a ambientação...
Entramos no local.
A escadaria e o quadro ainda tavam lá.
O arrepio em nossas espinhas e o sorriso de orelha a orelha também...
O ginásio aonde foi o alojamento também. E aonde a galera do Espírito Santo batucou seus funk, como “ 70 % de aproveitamento/ sou um delegado,/ que arrependimento”, ou “ neste COBRECOS/ Só tenho uma certeza/ ser observador/ é da minha natureza”.
E aonde na manhã depois da balada final o compa Flávio Gonçalves adentra, sem saber se ficava desesperado ou se ria, procurando um guri com cara de pouco mais de 15 anos, um certo Vinicius Mansur, que tinha desaparecido (descobrimos pouco tempo depois que ele havia dormido no Banheiro do G Powers, aonde tinha sido a Balada...).
Seguimos no pátio, aonde foi a alimentação. Não tinha a lona aonde foi as alimentações e as baladas internas.
E que ocorreu a chuva que quase arranca a lona, em uma cena digna daqueles filmes catástrofes...
E tinha a Rádio Poste. Onde conheci um cabra da Restinga que acabei trocando muitas idéias. André Saroba. Fui apresentado por uma outra amiga que havia recém feito, E que se tornou companheira de inquietações, uma tal de Micheline Michaelsen...
Auditório. O Piano ainda tava lá. A Carla e a Dani da UFPR cantaram alguma músicas que não me lembro bem quais enquanto uma das plenárias começavam.
Lembro que foi a única plenária que chorei no fim, depois da minha avaliação do encontro, citando Amigo Punk e tals.
Sem falar no Tchutchuá.
Em eu vendendo adesivos da Ralacoco.
Na Sue, da USP, dançando funk bêbada.
Das Maris da UFPE.
No Homem-delegação do Piauí.
Na consciência ecológica do Encontro.
Na Auto-Construção do encontro.
No Serrote Preto...

Quando saí, vi que uma semana especial tinha acontecido em PoA naquele ano. Parecia que tinha se criado uma nova família. Uma relação diferente de outros encontros que já tinha ido. E olha que já era macaco velho de encontronaquela época. Algo que durou um pouco mais na semana seguinte, do fórum de 2003.
Uma semana tri-legal.
Uma X-semana, num X-COBRECOS.

Seguindo e detonando o hardcore...

( texto Publicado originalmente no blog Mundo Externo S/A.)

quinta-feira, dezembro 07, 2006

De oaxaca para o mundo

2 de dezembro de 2006.
COPAI-México.
I. A Outra Campanha no norte do México: dizer "Oaxaca" em cima ou em baixo
Centenas de detidos e detidas ilegalmente, dezenas de desaparecidos,torturas, golpes. Homens e mulheres jovens, indígenas, meninos e meninas,anciãos e anciãs. Como quem diz: o povo oaxaqueño de baixo. Em cima aPolícia Federal Preventiva, os paramilitares de Ulises Ruiz, os grandesmeios de comunicação, a classe política.
Calar frente a isso é dizer "Oaxaca" de cima, e de cima fazer os clientescontentes... e idiotas
Porque lá em cima se apressam em declarar que tudo voltou a normalidade eque o "conflito" está controlado porque foram detidos "os dirigentes",como se esse movimento tivesse "líderes" para serem comprados ou presos oumortos. Dizem que agora é necessário se voltar para o outro lado. Querdizer, não deixar de olhar para cima, para a parafernália do poderpolítico, para suas simulações, sua aparência de que mandam e ordenamenquanto o verdadeiro Poder dá a ordem do dia a seus meios de comunicação,comentaristas. locutores, artistas, intelctuais, chefes de polícia,militares e paramilitares.
Dizer "Oaxaca" de baixo é dizer companheira e companheiro, é acolher quemé perseguido, é mobilizar as forças próprias para a apresentação dosdesaparecidos, para a libertação das detidas e dos detidos, é informar, échamar a solidariedade e o apoio internacional, é não calar, é dizer estador do sul e indicar que se extende por todo o país e mais além dasfronteiras dos quatro lados, como se fosse por baixo por onde se nomeiam,se falam, se escutam, se caminham as dores.
Oaxaca se extende na dor, mas também na luta. Pedaçoes deste povo, como sede um quebra-cabeças de tratasse, se espalham por tod o territórionacional e mais além de um limite geográfico que, ao menos no norte, émais ridículo do que nunca.
Durante os dois meses que caminhamos nas diferentes esquinas do nortemexicano, Oaxaca foi aparecendo uma e outra vez. E se vestia de dor eraiva, e nos falava e nos olhava.
E a Outra escutou e escuta, e estende os braços como estenderam, emsolidariedade com Oaxaca, os limites de zapatistas que em duas ocasiõesparalizaram as estradas de Chiapas, e as Outras em todos os rincões doMéxico de Baixo, e os outros e outras nas esquinas do mundo. Como osestendem. Como continuarão estendendo embora ninguém leve em conta, comonão seja o espelho fragmentado que somos quem ninguém somos.
Diante de Oaxaca, para Oaxaca e por Oaxaca, dizemos:
COMUNICADO DO COMITÊ CLANDESTINO REVOLUCIONÁRIO INDÍGENA - COMANDO GERALDO EXÉRCITO ZAPATISTA DE LIBERTAÇÃO NACIONAL. MÉXICO.
2 de dezembro de 2006.
Ao povo do México:
Aos povos do mundo:
Irmãos e irmãs:
O ataque que sofreu e sofre nosso povo irmão de Oaxaca não pode serignorado por quem lutamos pela liberdade, justiça e democracia em todos osrincões do planeta.
Por isso, o EZLN chama todas as pessoas honestas, no México e no mundo,para que se iniciem, desde já, ações contínuas de solidariedade e apoio aopovo oaxaqueño, com as seguintes demandas:
Pela apresentação com vida dos desaparecidos, pela libertação das detidase detidos, pela saída de Ulises Ruiz e as forças federais de Oaxaca, pelocastigo aos culpados pelas torturas, violações e assassinatos. Em suma:pela liberdade, democracia e justiça para o povo de Oaxaca.
Chamamos a que nesta campanha internacional se diga, de todas as formas eem todos os lugares possíveis, o que ocorreu e ocorre em Oaxaca, cada um aseu modo, tempo e lugar.
Chamamos a que estas ações confluam em uma mobilização mundial por Oaxacano dia 22 de dezembro de 2006.
O povo Oaxaqueño não está só. É necessário dizer e demonstrar, a ele e atodos.
Democracia! Liberdade! Justiça!
Pelo Comitê Clandestino Revolucionário Indígena - Comando Geral doExército Zapatista de Libertação Nacional.
México.
Subcomandante Insurgente Marcos.
México, dezembro de 2006.
II. 45 mil kilometros em (Outra) Campanha
Em sua participação na primeira etapa da Outra Campanha, a Comissão Sextado EZLN correu por volta de 45 mil quilometros (47 mil 890, alguém anotou)no território do que já podemos chamar, com conhecimento de causa, efeitoe destino, o Outro México, o dos de baixo.
O que vimos e escutamos não só deixou por terra aquilo dos 31 estados e umDistrito Federal, já que nos encontramos com companheiros e companheirasde, pelo menos, 35 entidades: las 32 da geografia dos de cima, mais aComarca Lagunera, a Huasteca e essa entidade que cresce em identidadeprópria ao norte do rio Bravo.
O alento que move a Outra Campanha é tão grande que não cabe nem dentrodas fronteiras: ao norte do rio Bravo há outro México.
"Nunca perderemos. Estamos aqui. Vamos estar aqui sempre", disse umamenina chicana que sabe o que diz.
Escutamos e vimos muitos Méxicos, com cores e línguas distintas, compassos diferentes. E com eles nos demos conta que todos se fazez um aofalar a dor e atuar a rebeldia.
A pé, de moto, a cavalo, de bicicleta, de carro, trem e barco, fizemos 45mil kilometros de campanha bem outra e, para usar as palavras de umamulher indígena rarámuri, na serra Tarahumara, "vimos a doença e aí mesmoencontramos o remédio".
Com luz própria brilhou a dor, e começou a cintilar a árvore daresistência que abaixo está enraizada há séculos.
Não podemos continuar resistindo sozinhos, cada um por seu lado.Necessitamos nos unir, por nós e por todos.
Em poucas palavras, México só poderá viver se vive o México de baixo.
E no México de baixo só poderá viver com a liberdade d@s pres@s de Atenco,a de tod@s @s pres@s políticos do país, a apresentação com vida d@sdesaparecid@s e o cancelamento de todas as ordens de apreensção contralutador@s sociais.
III. Nem azul nem amarelo, o Outro Norte também existe
As quatro rodas do capitalismo: expoliação, desprezo, exploração erepressão, unem em baixo o que em cima dividem baseados em pesquisas edesejos azuis e amarelos.
A Outra Campanha recuperou o país, descubriu que o norte é também México.
Alguns botões de mostra:
Há uma linha em cima que une Teacapán a dautillo, em Sinaloa, com IslaMujeres, em Quintana Roo, e Puerto Progreso, em Yucatán; Joaquín Amaro aSan Isidoro, em Chiapas, com Matamoros, em Tamaulipas, e El Mayor, naBaixa Califórnia.
Nestas oito esquinas do México de baixo, famílias de pescadores sãoperseguidas por trabalhar. Assim se dá a criminalização do trabalho, baixoo corte do cuidado do meio ambiente.
A política ambiental dos governos neoliberais, tanto o federal como osestatais e municipais, é de destruição da natureza... ou de arrebatá-lasde seus legítimos guardiãos para entregá-la à voracidade das grandesempresas.
Por outro lado, em três estados, Sonora, Zacatecas e San Luis Potosí,governados pelo PRI, PRD e PAN, respectivamente, se pode constatar o querepresenta isso de "mantes as variáveis macroeconômicas".
Neles se dá a detruição do campo mexicano e a despovoação pela expulsão demilhões de mexicanos para os Estados Unidos. E a reconstrução das velhasfazendas porfiristas e seu redobramento com migrantes indígenas dosestados do sul e sudeste mexicano.
No México, a "modernidade" é voltar a época porfirista.
IV. Depois do século XIX, em cima continua... o século XIX
A máquina de fazer mecadorias se esconde na causa mas não no efeito. Portrás do mercado e por trás do salário se oculta o núcleo forte do sistema:a propriedade privada dos meios produção e troca.
As novas nações que participam na neoconquista do México estão formadaspelos bancos, as indústrias e o comércio, todos estrangeiros. E seusexércitos de conquista e ocupação são deputados, senadores, presidentesmunicipais, deputados locais, governadores, presidentes da República,secretários de Estado.
Esta é a história presente que une o México ao norte, centro e sul. Ostempos do fim do século XIX e inícios do XX voltaram:
- Expropriação de terras.
- Destruição da cultura e da história.
- Destruição da natureza.
- Destruição do tecido comunitário.
- Destruição da cultura organizativa.
- Violência de gênero contra as mulheres, intrafamilitar, social, culturale institucional.
- Desprezo aos mais velhos.
- Mercantilização da infância.
- Criminalização da juventude.
- Privatização do ensino médio e superior
- Desmantelamento do sistema educativa primário e secundário.
- Desmantelamento da segurança social.
- Destruição e reconstrução das condições laborais, para voltar ao tempode Porfírio Díaz.
- Repressão do comércio ambulante e asfixia do pequeno e médio comércio;para benefício do grande capital comercial estrangeiro.
- Desprezo e repressão a diferença sexual, inclusive dentro da esquerda.
- Autismo perverso dos grandes meios de comunicação.
" A fome mata, mas a dignidade indígena levanta", nos disse uma mulherindígena, chefa dos kumiai.
No México se trabalha para não morrer e se morre no trabalho.
V. Somos quem somos
O corpo principal da Outra Campanha são indígenas, jovens e mulheres.Trabalhadors do campo e da cidade, tod@s el@s.
No norte encontramos Oaxaca nos triquis, mixtecos e zapotecos; e tambémnos kumiais, kiliwas, kukapás, tohono o'odham o papágos, comca'ac o seris,pimas, yaquis, mayos yoreme, rarámuris, caxacanes, coras, wixaritari,kikapús, maskovos, teenek, pames, nahuas, chichimecas, tepehuanos,guarijios.
Nos povos, tribus e nações indígenas do norte é mais freqüente e naturalencontrar mulheres como chefes, dirigentes e líderes.
"Queremos continuar sendo o que somos", nos disse uma indígena rarámuri. Epoderia ter dito um ou uma jovem, uma mulher.
"Que caminhe a voz, para dar força a este mundo", diz a mulher, jovem eindígena no norte do México.
VI. Abaixo, um coração se conhece
A luta anticapitalista não nasce com a Sexta Declaração e a OutraCampanha; seguiu e segue muitos caminhos em organizações políticas,sociais, não governamentais, povos índios, coletivos, grupos, famílias eindivíduos.
A Sexta e a Outra foi o chamado para nos encontrarmos, nos conhecermos,nos respeitarmos, nos unirmos.
E se fez.
Agora devemos todos, todas, responder como Outra Campanha quem somos, ondeestamos, como vemos o México e o mundo, o que queremos fazer e como vamosfazer.
Por isso estamos convidando para a consulta interna de 4 a 10 de dezembrodeste ano.
A Outra Campanha não é outra luta abaixo, é a de cada um, mas estendendooutros laçoes, os de solidariedade e apoio, os da mesma dor e idênticarebeldia, os do respeito, os das diferenças conhecendo-se ereconhecendo-se.
O Outro México começa em baixo. E não termina até que se refaça, porquefalta o que falta.
A Outra Campanha se faz Outra frente ao de cima e seus espelhos. Não vamosconfluir nem nos unir. Quem se opõe a Calderón de cima não busca umamudança do país, mas chegar ao Poder. Quem nos opomos a Calderón de baixo,estamos contra tudo o que lá em cima simula idéias e pratica desprezos.
O oficial será derrotado, e o "legítimo" também, e o mesmo o nome que tomequem suponha que tudo voltará a ser igual e que de cima se decide por econtra os de baixo, para administrar o mesmo pesadelo do qual padecemos.
Este país está cheio de esquinas, de rincões. Daí, e não dos palácios, dassedes de governo e bunkers da classe política, sairá, crescerá e seráoutra alternativa.
Todo o país vive num cárcere, mas há cárceres que parecem e são prisões.Por isso a luta pela apresentação com vida dos desaparecidos, a liberdadepara @s pres@s de Atenco, e agora de Oaxaca, devem ser parte de umacampanha nacional.
Junto a isso, se podem levantar movimentos nacionais contra as altastarifas elétricas, a defesa e proteção do meio ambiente e a promoção docomércio ambulante e pequeno comércio, assim como o boicote ao grandecomércio.
Como zapatistas chamamos a atenção sobre o que tem de contribuição aslutas anticapitalistas de grupos e coletivos anarquistas e libertários emsua autogestão.
Em Chihuahua nos contaram dos tlatoleros, os mensageiros indígenas quecorriam os povos convidando a levantarem-se contra o virreinato. De uma ououtra forma, temos sido e seremos isso.
Enquanto quem olhou para cima voltam ao cotidiano e ao tema da moda, aOutra Campanha olha a si mesma, se define, se prepara.
Em cima olham, falame perguntam pelo 2012. Abaixo a Outra Campanhacontinuará perguntando quem e o que no Programa Nacional de Luta, depois ocomo e quando. Então o calendário de cima será deixado de lado e seguiráoutro de baixo e à esquerda.
Chegou a hora. Seremos o que somos, mas outros melhores.
É necessário despertar.
Subcomandante Insurgente Marcos.
Comissão Sexta do EZLN.
Delegado Zero.
México, dezembro de 2006.
P.S.: No quartinho sem janelas de Sombra, só o relojo permite distinguir odia da noite. Aí sempre é madrugada. Sombra se prepara agora para voltaràs sombras de onde nasceu e o alimentam. Faz contas e recontas. Se acomodade novo o coração rompido e cheio de cicatrizes e remendos. Leva anclas,acende velas. Outros país leva colado nos pés, na pelo, nos ouvidos e noolhar. Leva uma dor e uma raiva que não cabe nas palavras de todas aslínguas. Nas montanhas do sudeste mexicano, no moreno coração coletivo quemanda, espera uma resposta que já conhece há séculos: é necessárioamanhecer, como por si mesmo amanhece, quer dizer, com dor e com raiva.Sombra sabe o que escutará da morena montanha que o guia. Dando alívio ádor e esperança à raiva, em língua ancestral dirá: "Não se preocupe muito,não tenha pena, que não esteja triste o coração de nossa Pátria, poruqeainda falta o que falta".